REMODELAÇÃO DO MÚSCULO
Hipertrofia e Atrofia Muscular
Efeito da denervação do músculo
Rigor Mortis
INTRODUÇÃO
A
hipertrofia ocorre quando há atividade muscular excessiva
ou forçada, culminando, a médio ou a longo prazo, num aumento do tamanho do
músculo.
● Aumento da secção transversal do músculo
● Aumento do diâmetro da fibra muscular
●
Aumento do diâmetro das miofibrilhas
●
Aumento do número de miofibrilhas
A
atrofia ocorre sempre que um músculo não é usado, ou quando o é apenas para
contrações muito fracas. Assim, quando um membro é imobilizado por muito tempo,
como acontece em fraturas e paralisias, o músculo em questão se atrofia.
Após a morte, o cálcio pode permear livremente a membrana do
retículo sarcoplasmático por consequência de sua degradação devido a morte
celular. Com isso o sarcoplasma fica com uma concentração elevada de cálcio,
formando pontes de ligação miosina-actina. Contudo como o metabolismo
energético não mais sintetiza ATP, as bombas de regulação ionícas não mais funcionam
(Bomba de cálcio ATPase) em consequência o músculo permanece rígido já que
pontes não se libertam. O rigor mortis aparece em torno da 12ª hora após
a morte, e permanece até em torno da 36ª, quando se tem sua reversão que ocorre
naturalmente devido a degeneração dos tecidos musculares.
Remodelação do Músculo
Todos os músculos do corpo estão sob remodelamento
contínuo para que melhor possam atender o que lhes é exigido. Seus diâmetros são
modificados, seus comprimentos são alterados, suas forças são variadas, suas
vascularizações são modificadas e, até mesmo, os tipos de suas fibras são
mudados, pelo menos, em pequeno grau. Esse processo de remodelagem é, muitas
vezes, bastante rápido, ocorrendo dentro de poucas semanas. Na verdade,
experimentos têm demonstrado que, até mesmo em condições normais, as proteínas contráteis
do músculo podem ser totalmente substituídas uma vez a cada duas semanas.
Hipertrofia e Atrofia musculares
Quando a massa
total de um músculo aumenta, ocorre a hipertrofia muscular. Quando essa
massa diminui, o processo é chamado de atrofia muscular.
Virtualmente,
toda hipertrofia muscular é resultado da hipertrofia das fibras musculares isoladas,
o que é chamado, simplesmente, de hipertrofia das fibras. Em geral, isso
ocorre em resposta à contração do músculo com força máxima ou quase máxima.
Ocorre hipertrofia muito mais acentuada quando o músculo é estirado durante o
processo contrátil. Bastam apenas umas poucas dessas contrações, a cada dia, para
que ocorra hipertrofia quase máxima dentro de 6 a 10 semanas.
Infelizmente,
ainda é desconhecido o modo como as contrações fortes levam a hipertrofia.
Todavia, é sabido que a velocidade da síntese das proteínas contráteis do
músculo é muito maior durante o desenvolvimento da hipertrofia que a velocidade
de sua degradação, do que resulta aumento progressivamente maior do número de filamentos
de actina e de miosina nas miofibrilas. Por sua vez, as miofibrilas se dividem
no interior de cada fibra muscular, para formar novas miofibrilas. Dessa forma,
é esse grande aumento do número de miofibrilas adicionais que produz a
hipertrofia das fibras musculares.
Junto com o
aumento do número de miofibrilas, os sistemas enzimáticos que fornecem energia
também aumentam. Isso é especialmente verdade para as enzimas da glicólise,
permitindo um fornecimento rápido de energia durante as contrações musculares
fortes, durante breves períodos.
Quando um músculo
permanece inativo por longos períodos, a velocidade de degradação das proteínas
contrateis, bem como a redução do número de miofibrilas, é maior que a
velocidade com que são repostas. Como resultado, ocorre atrofia muscular.
Ajuste do comprimento muscular. Ocorre
outro tipo de hipertrofia quando os músculos são estirados além de seu
comprimento normal. Isso faz com que sejam adicionados novos sarcômeros nas
extremidades das fibras musculares onde elas se fixam aos tendões. Na verdade,
a adição desses novos sarcômeros pode ser bastante rápida, até de vários sarcômeros
a cada minuto, demonstrando a grande rapidez desse tipo de hipertrofia.
Inversamente,
quando um músculo permanece retraído a comprimento menor que o seu normal por
longos períodos, os sarcômeros nas extremidades das fibras desaparecem de modo igualmente
rápido. É por esses processos que os músculos são continuamente remodelados para
terem o comprimento adequado para uma contração muscular apropriada.
Hiperplasia das
Fibras musculares. Sob condições muito raras de geração
de força muscular extrema, já foi observado aumento do número de fibras
musculares, mas de apenas uns poucos pontos percentuais, além da hipertrofia
das fibras. Esse aumento do número de fibras é chamado de hiperplasia das
fibras. Quando ocorre, seu mecanismo é o da divisão longitudinal de fibras
previamente hipertrofiadas.
Remodelagem das
fibras "lentas" em corredores de
maratona
Os músculos muito
rápidos, de ação tipo mola, como o gastrocnêmio, só podem manter alto nível de
força contrátil por períodos muito curtos de tempo de atividade contínua. Por
conseguinte, os chamados músculos lentos, tais como o solear, são usados para
as atividades prolongadas, tais como a corrida de maratona. Esses músculos não
se hipertrofiam tanto como os músculos rápidos. Na verdade, eles são
remodelados por outro modo. A atividade prolongada, por períodos de muitas
horas a cada dia, causa, além de hipertrofia das fibras, de discreta a
moderada, as seguintes alterações que aumentam a capacidade das fibras de utilizarem
os nutrientes:
1. Aumento da
mioglobina em cada fibra, para o transporte de
oxigênio para as mitocôndrias.
2. Número muito
aumentado de mitocôndrias para formar
quantidades muito maiores de ATP.
3. Quantidades
aumentadas de enzimas oxidativas nessas
mitocôndrias para provocar maior
intensidade do metabolismo
oxidativo, o que aumenta ainda mais a
produção de ATP.
4. Intenso
crescimento de capilares no próprio músculo, resultando
em menor espaçamento desses capilares
por entre as fibras musculares,
de modo que o oxigênio e outros
nutrientes possam ser rápida e facilmente
fornecidos durante os períodos
prolongados de atividade.
Efeitos da
desnervação muscular
Quando um músculo
fica privado de sua inervação, ele deixa de receber os sinais contráteis
necessários para manter suas dimensões normais. Como resultado, a atrofia
começa quase imediatamente. Após cerca de 2 meses, começam a aparecer
alterações degenerativas nas próprias fibras musculares. Se houver reinervação,
ocorrerá restauração completa da função até, nas condições usuais, 3 meses;
mas, após esse período, a capacidade de restauração funcional fica
progressivamente menor, com perda
definitiva de função após 1 a 2 anos.
Nas etapas finais
da atrofia de desnervação, a maior parte das fibras musculares já está
destruída e substituída por tecido fibroso e gorduroso. As fibras remanescentes
são formadas por longa membrana celular, com fileira de núcleos de células
musculares, mas desprovidas de propriedades contráteis e sem capacidade de
regeneração de miofibrilas, caso ocorra reinervação.
Infelizmente, o
tecido fibroso que toma o lugar das fibras musculares durante a atrofia de
desnervação apresenta tendência a se retrair durante muitos meses, o que é chamado
de contratura. Por conseguinte, um dos mais importantes problemas na
prática da fisioterapia é a de impedir que os músculos atróficos venham a
desenvolver contraturas debilitantes e desfigurantes. Isso é conseguido pelo
estiramento diário dos músculos ou pelo uso de aparelhos que mantenham os
músculos estirados durante o processo da atrofia.
Recuperação da
contração muscular na poliomielite:
desenvolvimento de unidades
macromotoras. Quando algumas fibras nervosas para
um músculo são destruídas, com conservação de algumas, como ocorre
freqüentemente na poliomielite, as, fibras remanescentes apresentam
brotamentos de seus axônios que vão originar novos ramos axônicos, que,
por sua vez, vão formar muitas ramificações novas, que, em seguida,
inervam muitas das fibras musculares paralisadas. Disso resulta a
formação de unidades motoras muito grandes, chamadas de unidades
macromotoras, que chegam a conter número de fibras musculares cinco
vezes maior que o número normal para cada motoneurônio da medula
espinhal. Isso, obviamente, reduz a precisão do controle que deve
existir sobre os músculos, mas, não obstante, permite que os músculos
readquiram sua força.
Rigor Mortis
Várias horas após a morte, todos os músculos do corpo passam para um
estado de contratura que é chamado de rigor mortis é um sinal
reconhecível de morte que é causado por uma mudança química nos músculos, causando aos membros do cadáver um endurecimento ("rigor") e
impossibilidade de mexê-los ou manipulá-los. Tipicamente o rigor acontece
várias horas após a morte clínica e volta espontaneamente depois de dois dias, apesar do tempo de início e duração
depender da temperatura ambiente. Na média, presumindo-se temperatura amena,
começa entre 3 e 4 horas post-mortem, com total efeito do rigor em
aproximadamente 12 horas, e finalmente o relaxamento em aproximadamente 36 horas.
A causa bioquímica do rigor mortis é a hidrólise do ATP no tecido
muscular, a fonte de energia química necessária para o movimento. Moléculas de miosina derivados do ATP se tornam permanentemente aderentes aos filamentos e os
músculos tornam-se rígidos. A circulação sanguínea cessa, assim como o
transporte do oxigênio e retirada dos produtos do metabolismo. Os sistemas enzimáticos continuam funcionando após algum tempo da morte.
Assim, a glicólise continua de forma anaeróbica, gerando ácido láctico, que produz abaixamento do pH. Neste momento, actina e miosina, unem-se formando actomiosina, que contrai fortemente o músculo.
muito bom o texto
ResponderExcluirMuito bom mesmo
ResponderExcluirMuito bom mesmo
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