SALIVA
1.0
FORMAÇÃO DA SALIVA
A saliva é formada em um
processo de dois estágios. O primeiro estágio é a produção da secreção primária
pelas células acinares. Os ductos são responsáveis pelos segundo estágio, no
qual a secreção primaria isotônica é modificada em saliva hipotônica que entra
na cavidade bucal. Diferentes sistemas estão envolvidos no transporte iônico através
das superfícies basolateral e luminal das células acinares e dos ductos. De
acordo com o conhecimento atual, esses sistemas parecem incluir:
1) Na⁺∕K⁺_ ATPase;
2) sistema de
co-transporte Na⁺∕K⁺∕Cl -;
3) secreção de bicarbonato
dirigida pela troca em paralelo de Na⁺∕H⁺;
4) secreção de cloro
dirigida pela troca em paralelo de Na⁺∕H⁺ e Cl-∕HCO₃ -;
5) canais de K⁺ e Cl- regulados por Ca⁺⁺;
6) fluxo osmótico de água;
7)trocas de K⁺∕ Na⁺; e
8) transporte paracelular
de Na⁺ e água.
Esses sistemas de
transportes são ativos nas células acinares tanto quanto no sistema de ductos
intratubular e intertubular, e/ou na porção excretora. A saliva primária,
formada é liberada das células acinares, é isotônica e modificada pelas células
dos ductos para formar uma solução hipotônica pela remoção de íons específicos.
Na membrana basolateral, a
Na⁺∕K±
ATPase permuta 3Na⁺
na direção externa para o interstício, com 2K⁺ se movendo para dentro. O resultado é
a manutenção de K⁺
intracelular alto e Na⁺
intracelular baixo. Direcionado para dentro, o gradiente Na⁺, gerado pela Na⁺∕K± ATPase, conduz o co-transportador
Na⁺∕K⁺∕Cl±. Esse co-transportador e
essencial para o transporte de Cl- para o interior da célula acinar. Os
mecanismos de troca de Na⁺∕H⁺ e Cl∕HCO₃ permitem o transporte de HCO₃- e prótons (H⁺), enquanto Cl- e Na⁺ são assimilados pela célula acinar.
Na superfície luminal, canais de cloreto permitem a saída rápida de Cl- após
estimulação celular. A ativação de receptores de acetilcolina, após estimulação
nervosa parassimpática, resulta no aumento de cálcio intracelular que coordena
o canal apical de Cl-. A elevação de cálcio intracelular também ativa o canal
de K⁺ ativado
por Ca⁺ na superfície
basolateral, para preservar o potencial da membrana.
O segundo estágio do processo de
secreção salivar é o da modificação da saliva primária pelo sistema de
ductos. A função do sistema de ductos na
modificação da saliva primária isotônica, produzida por células acinares, em
saliva hipotônica liberada na cavidade bucal.
As células dos ductos
funcionam para reabsorver Na⁺
e Cl- e secretar K⁺
e HCO₃-, sem
reabsorção de água, resultando numa saliva hipotônica. A membrana basolateral
das células dos ductos apresenta alta atividade para Na⁺∕K±ATPase e uma troca de Na⁺∕H⁺, como também canais de Cl- e K⁺. A superfície apical (luminal) possui
canais de Na⁺ e Cl-,
como também trocas de Na⁺∕H⁺, Cl-∕CHO₃- e H⁺∕K⁺. Uma mutação genética do gene da
fibrose cística(FC) altera o canal de Cl- e outros canais nas glândulas
salivares e determina o surgimento dos sintomas encontrados na FC.
As
células produtoras de saliva podem ter duas características citológicas
diferentes, segundo o tipo de secreção salivar que sejam capazes de secretar.
Por exemplo, as células que secretam saliva mucosa apresentam menor densidade
eletrônica, são células claras,
contendo poucos grânulos no citoplasma, que pelo fato de secretar mucina, são chamados grânulos
mucinogênicos.
2.0 SECREÇÃO DA SALIVA
A
saliva é secretada pelas glândulas parótidas, submaxilares e sublinguais e por
miríades de pequenas glândulas na boca.
As
glândulas salivares maiores produzem 85% da saliva, na proporção de 70% da
submandibular, 25% da parótida e 5% da sublingual. A contribuição da glândula
parótida é bastante fluida, abundante e amilase. A secreção da submandibular é
mista enquanto da sublingual é menor e principalmente mucosa. Além das
secreções glandulares, contribuem para a saliva os exudatos oriundos da mucosa
oral e da região do epitélio juncional.
Saliva é formada por metade de muco e
metade por solução da enzima ptialina. A função do muco é na lubrificação da
deglutição. Sem muco, dificilmente se conseguiria engolir. Se misturar o
alimento com água, em lugar do muco, será necessária quantidade 10 vezes maior
de água que de muco, para que seja obtido o mesmo grau de lubrificação.
A
função da ptialina é a de iniciar a digestão das substâncias amiláceas e de
outros carboidratos da dieta. De um modo geral, o alimento não fica exposto à
saliva, na boca, por tempo suficiente para que mais de 5 a 10% desses compostos
sejam digeridos. Entretanto, a mistura da saliva com o alimento é, comumente,
armazenada no estômago, por período variável, de 30 minutos a várias horas, antes
de ser misturada com as secreções gástricas. Durante esse tempo, a saliva pode
digerir mais de 50% dos amiláceos.
2.1 Regulação
da Secreção Salivar
Os
núcleos salivatórios superior e inferior, situados no tronco cerebral,
controlam a secreção das glândulas salivares. Por sua vez esses núcleos são
controlados, em sua maior parte, por impulsos gustativos e por impulsos
sensoriais táteis, com origem na boca. Os alimentos com paladar agradável
produzem, geralmente, a secreção muito abundante de saliva, enquanto que alguns
alimentos desagradáveis podem reduzir de modo tão acentuado a secreção salivar
que chegam a dificultar sua deglutição. De igual modo, a sensação sensorial
tátil, de alimentos de consistência uniforme, lisa, aumentam a secreção de
saliva, enquanto que os de consistência heterogênea, rugosa, a diminuem. Esse
efeito, provavelmente, permite que os alimentos que não vão ter efeito abrasivo
sobre a mucosa sejam facilmente deglutidos, com a rejeição dos que teriam esse
efeito abrasivo.
Fases
da Secreção Salivar
Além
da salivação, que ocorre durante o período em que o alimento está na boca,
frequentemente ocorre salivação antes que o alimento chegue à boca – isto é,
quando a pessoa está pensando ou sentindo o cheiro de comida apetitosa – e
continua a ocorrer, mesmo após o alimento ter sido deglutido. Por conseguinte,
a secreção salivar pode ser dividida em três fases: a fase psíquica, a fase
gustativa e a fase gastrointestinal. Presumivelmente, a fase psíquica faz com
que a boca fique pronta para receber o alimento e participa da secreção de
saliva quando o alimento é apresentado à boca. A fase gustativa fornece a
saliva que é misturada com o alimento durante a mastigação, e a fase
gastrointestinal prolonga a secreção de saliva até depois do alimento já estar
sendo armazenado no estômago. A secreção da fase gastrointestinal acontece, com
maior probabilidade, quando foi deglutido alimento irritativo, visto que os
sinais neurais do estômago passam a excitar os núcleos salivatórios. A saliva,
ao ser deglutida, favorece a neutralização da substância irritante, o que reduz
a irritação gástrica.
Todas
as glândulas salivares maiores e menores contribuem para a composição da
saliva. Essa composição varia de acordo com a taxa de secreção, que é baixa
durante o sono e alto (+ ou – 1ml por minuto) durante a estimulação. A secreção
é controlada pelo centro salivar no cérebro, e o fluxo é gerado pelo paladar
(gustação). A função mastigatória é controlada por meio de receptores no
periodonto e nos músculos da mastigação. A dor e a irritação bucal e faríngea
podem também induzir a secreção.
A
saliva tem menos proteínas e íons do que o sangue. Ela contém potássio, cloreto
de sódio, cálcio, magnésio, fósforo, carbonato, uréia e traços de amônia, ácido
úrico, glicose e lipídios. A maior proteína salivar é a amilase, a qual está
presente na glândula parótida e, em uma quantidade menor (20%), na glândula
submandibular. A sublingual, ou glândulas salivares menores, não apresenta
qualquer traço de amilase. A saliva também contém as proteínas lisozima e
albumina. A natureza viscosa da saliva deve-se à presença da mulcima salivar,
que é uma mistura de glicoproteínas. A saliva possui células epiteliais
descamadas do epitélio bucal, como também leucócitos do sulco gengival e
linfócitos oriundos das amígdalas. Os últimos dois são conhecidos como corpúsculos
salivares.
4.0 FUNÇÕES DA
SALIVA
Cerca de 1,5 litros de
saliva e secretado a cada dia, servindo para varias funções importantes,
algumas das quais estão listadas a seguir:
·
Lavar
a superfície dos dentes e reduzir a possibilidade do ataque ácido que leva a
carie dentaria.
·
Manter
os tecidos bucais úmidos e proteger contra agentes irritantes e o ressecamento.
·
Auxiliar
na mastigação e na deglutição dos alimentos.
·
Promover
ação antibacteriana.
·
Auxiliar
na formação da película, uma membrana protetora na superfície dentária.
·
Proporcionar
a proteção na neutralização acida e no tamponamento de ácidos, o que previne a
dissolução do esmalte.
A
presença de íons cálcio e fosfato na saliva aumenta a dureza superficial do
esmalte dos dentes recém-erupcionados, e pode auxiliar na remineralização do
esmalte. Pela ação da amilase, amidos são degradados para mais facilmente sejam
digeridos os carboidratos. A saliva também acentua o paladar pela degradação de
moléculas alimentares uma solução, que e então conduzida para fazer contato com
os botões gustativos.
A
saliva apresenta numerosas proteínas, tais como as lisozimas, lactoperoxidases
e lactoferinas, que possuem propriedades antimicrobianas. Alem disso, a saliva
tem anticorpos ou imunoglobulinas, tal como IgA. Ela tambem apresenta o fator
de crescimento epidérmico, o qual pode auxiliar na reparação da mucosa bucal
lesionada.
Durante
a maior parte do dia ou da noite, o fluxo salivar e mínimo. A secreção depende
da estimulação gustativa e mastigatória. Tanto o paladar como o odor
desempenham papel principal na determinação do fluxo salivar, como o fazem as
terminações nervosas no ligamento periodontal
e nos músculos da mastigação.
4.1 Proteção
A
função protetora é expressa de varias formas. A saliva tem papel lubrificante.
Seu conteúdo glicoprotéico, que torna mucinosa, protege a mucosa de
revestimento, formando uma barreira contra estímulos nocivos, toxinas
microbianas e pequenos traumas. Sua consistência fluida também provê uma ação
de lavagem mecânica, a qual carreia bactérias não-aderentes e debris celulares
da boca. Em particular, a limpeza promovida pela saliva limita a
disponibilidade dos açúcares para os microrganismos da placa acidogênica. As
proteínas da saliva que se ligam ao cálcio ajudam a formar uma película que se
comporta como uma membrana protetora.
4.2 Tamponamento (efeito
tampão)
A saliva comporta-se como um sistema tampão que protege a cavidade oral de duas maneiras: primeiro, muitas bactérias
necessitam de um pH específico
para seu crescimento máximo; a capacidade
tampão da saliva evita a colonização da boca por microrganismos potencialmente patogênicas, por negar-lhes a otimização das condições ambientais: em
segundo lugar, os microrganismos
da placa podem produzir ácido a partir de açucares, os quais, não sendo
rapidamente tamponado e limpos pela saliva, podem desmineralizar o esmalte. Grande
parte da capacidade tampão da saliva deve-se ao conteúdo de bicarbonato e íons
fosfato. resíduos carregados negativamente sobre as proteínas salivares
funcionam também como tampões; um peptídeo salivar, conhecido como sialina, tem
um importante papel no aumento
do ph da placa dental após exposição a carboidratos
fermentáveis. a capacidade da saliva como um tampão ácido é muito importante, porque a saliva e o ph da placa são garalmente baixos nas cáries ativa.
Capacidade Tampão
A capacidade-tampão da saliva (cts) é a propriedade de a saliva manter o
seu pH constante a 6,9-7,0, graças aos seus tampões, mucinato/mucina,
hco-3/h2co3 e hpo--4/h2po-4, que bloqueiam o excesso
de ácidos e de bases conforme os mecanismos:
• excesso de ácidos (h+):
hco-3 → h2co3 → h2o + co2
• excesso de bases (ho-):
ho- + h2co3 → hco-3 + h2o
os tampões mucinato/mucina e monofosfato/bifosfato agem da mesma forma
e. assim. o elevado poder tamponante da saliva mantém a higidez da mucosa bucal e dos dentes.a
determinação da cts se faz por titulometria, medindo-se o volume de ácido láctico 0,1 normal necessário para
baixar o ph salivar de 6,9 a 3,7 (ponto
de viragem do alaranjado de metila). o indicador é amarelo-laranja a 6,9 e
róseo a 3,7. na prática, colocam-se 10ml de saliva num erlenmeyer, juntamente
com o alaranjado de metila, e verte-se, na saliva,
gota a gotra, o ácido láctico 0,1 normal colocado numa bureta, até ser atingida a cor rósea (viragem do
alaranjado de metila). fecha-se então
a bureta e lê-se o volume de ácido láctico 0,1n gasto. para exprimir a cts usa-se multiplicar por 10 o
volume de ácido láctico gasto. e assim,
podemos classificar os pacientes em três grupos:
1.pacientes medianamente
susceptíveis à cárie dental: cts= 40.
2.pacientes resistentes
à cárie dental: cts = >40.
3.pacientes muito
susceptíveis à cárie dental: cts = <40. dentro de certos limites, a cts
funciona como um índice relativo de atividade
de cárie dental.
4.3
película adquirida
A Película adquirida é uma fina camada acelular que forma a base para adesão
dos microrganismos que posteriormente desenvolvem a placa bacteriana. Tem papel
importante na formação de manchas brancas extrínsecas na superfície dentária, e
supõe-se que dê uma permeabilidade seletiva e participe no reparo e proteção da
superfície do esmalte.
Quando um corte de placa bacteriana é visto através de uma micrografia
eletrônica de transmissão, uma fina camada acelular e levemente agranular é
vista entre a bactéria e a superfície do esmalte. Esta fina camada, a película
adquirida, tem uma importante e algumas essencial participação nos eventos que
ocorrem na superfície dentária, e que algumas vezes resultam na formação da
lesão cariosa.
A película adquirida é uma cutícula não desenvolvida e deve ser
distinguida das cutículas e membranas que cobrem os dentes por um pequeno
período de tempo após a erupção. Deve ser também diferenciada dos tegumentos
que recobrem outras estruturas, tais como as membranas mucosas, materiais de
obturação ou qualquer outro material exposto à saliva.
Se a superfície do esmalte limpa
for exposta à saliva, em questão de segundos, torna-se-á recoberta por um filme
orgânico. Tanto estudos in vivo quanto in vitro têm demostrado que proteínas
salivares constituem a maior parte deste filme orgânico ou película[1][2][3]. e
a adsorção seletiva de porteínas salivares é o provável mecanismo pelo qual a película
é formada, apresentaram um conceito sobre o mecanismo de interação de proteínas
com hidroxiapatita. A superfície de hidroxiapatita é anfótera, o que significa
que se liga igualmente bem a proteínas ácidas ou básicas. Proteínas ácidas
podem ser desadsorvidas pelos fosfatos e outros ânions e proteínas básicas
podem ser desadsorvidas pelo cálcio.
4.4 Manutenção da integridade do dente
A saliva é
saturada com íons cálcio e fosfato. A alta concentração dos referidos íons garante trocas
iônicas direcionadas à superfície dos dentes. Essa troca começa
tão logo o dente erupcione, pois, embora a coroa esteja completamente formada
sob ponto de vista morfológico, nesse momento, ela é cristalograficamente
incompleta. A interação com a saliva resulta em maturação pós-erupção através
difusão de íons, como o cálcio, fósforo, magnésio e cloreto, para a
superfície dos cristais de apatita do esmalte.
Essa maturação aumenta a dureza da superfície, diminui a
permeabilidade e aumenta a resistência do esmalte às cáries. Se,
contudo, o processo carioso for instalado, poderá ser paralisado, antes de
ocorrer a cavitação do esmalte, sendo possível o processo de remineralização é
possível devido à disponibilidade de íons fosfato e cálcio na saliva. Se o íons
fluoreto também estiver disponível na remineralização, a lesão reparada será
menos susceptível a uma futura decomposição. Por outro lado, a saliva contém estaterina, que
inibe a deposição de fosfato de cálcio, como também proteínas acídicas ricas em
prolina, que,
juntamente com a estaterina inibem o crescimento dos cristais de hidroxiapatita.
4.5
Ação Antimicrobiana
Tem a saliva grande influência ecológica sobre os microrganismos que tentam colonizar os
tecidos bucais. Além do efeito de
barreira do seu conteúdo mucoso, ela contém um espectro de proteínas com
propriedades antibacterianas, como é o caso da histatina. A lisozima é uma enzima que pode
hidrolisar a parede celular de algumas
bactérias. A lactoferrina liga-se ao ferro livre, privando, assim as bactérias do seu elemento
essencial.
Anticorpos estão presentes na saliva. A principal imunoglobulina
encontrada na saliva, IgA secretora, tem a capacidade de aglutinar
microrganismos. Essa capacidade, juntamente com a ação de limpeza da saliva, serve para remover agregados
de bactérias.
4.6
Reparação tecidual
Clinicamente, parece que o tempo de sangramento dos
tecidos bucais é inferior aos dos outros tecidos. Quando a saliva é experimentalmente misturada com
sangue, o tempo de coagulação pode ser
muito acelerado (embora o coágulo resultante seja menos sólido que o normal). Estudos experimentais em
camundongos têm mostrado que a contração
da ferida é significantemente aumentada na presença da saliva, devido ao fator de crescimento epidérmico que ela
contém, produzido pelas glândulas
submandibulares. Ainda que com menor freqüência,
o fator de crescimento ocorre na saliva humana, mas seu efeito sobre os processos de reparação ainda não foi demonstrado.
4.6
Digestão
A saliva é importante para a vida, fornecendo
sensibilidade gustativa, neutralizando o conteúdo do esôfago, diluindo o suco
gástrico, ajudando a formar o bolo alimentar e, devido ao seu conteúdo de
amilase, quebrando o amido.
Fatores
que aumentam a salivação:
ü
Estímulos
gustativos, principalmente ácidos;
ü
Estímulos
táteis, como objetos lisos da boca (piercing, bala, etc.);
ü
Irritação
no estômago;
ü
Estimulação
do sistema nervoso parassimpático;
ü
Aumento
da velocidade mastigatória e/ou do bolo alimentar.
Fatores que diminuem a salivação:
ü Sede;
ü Objetos ásperos na
boca;
ü Estimulação do
sistema nervos simpático.
4.8
Gustação
A saliva possui também um papel na gustação. Embora ela permita que se tenha a sensação de
satisfação da comida a ser experimentada,
seu papel principal é o de proteção, permitindo o reconhecimento de substâncias nocivas. A saliva é
necessária para dissolver
substâncias a serem degustadas, assim dessa forma as papilas gustativas vão poder sentir o sabor do alimento e fazer
com que ele seja digerido, além de
informar ao cérebro o gosto do alimento. Ela contém,
também proteína, chamada gustina, que parece ser necessária ao crescimento e maturação dos
corpúsculos gustativos.
5.0 XEROSTOMIA
Xerostomia
ou secura da boca, caracteriza-se pela manifestação clínica da disfunção das
glândulas salivares.
Na
xerostomia, o paciente pode se queixar de sensação de secura na boca algumas
vezes no decorrer do dia, sendo que a mucosa apresenta-se normal. Em
outros casos, há ausência completa de saliva. Se a deficiência de saliva for
acentuada, pode haver alterações graves na mucosa e o paciente passa a sentir
grande desconforto. A mucosa que reveste a cavidade bucal, apresenta-se seca e
atrofiada, pode estar inflamada, pálida e translúcida.
A língua pode mostrar deficiência pela atrofia das papilas, inflamação, fissuração, rachaduras e até desnudação.
A língua pode mostrar deficiência pela atrofia das papilas, inflamação, fissuração, rachaduras e até desnudação.
O indivíduo
portador de xerostomia, apresenta sensibilidade, ardência, queimação e dor na
mucosa da língua.
A xerostomia
associada a uma reação emocional ao bloqueio de um ducto por cálculo salivar,
ou à administração de várias drogas como a atropina e diferentes
anti-histamínicos, não é considerada como patologia. Algumas pessoas usam essas
drogas contra sinusite crônica, febre do feno e várias alergias podendo
acarretar uma xerostomia à qual o paciente pode se acostumar.
A xerostomia
crônica predispõe à cárie dentária aguda, complicações periodontais e perda
subseqüente dos dentes.
A xerostomia
tem uma grande relação com a halitose. A halitose observada com freqüência em
pessoas idosas se deve geralmente à xerostomia, por sua vez derivada da
hipertrofia senil das glândulas salivares.
Devido à
xerostomia, a saliva se torna mais viscosa e há maior precipitação de material
saburróide na língua e, freqüentemente, formação de saburra (placa
esbranquiçada que se localiza no dorso da língua, causando o mau hálito).
Pode ocorrer
a perda da função das glândulas salivares pela radiação, seja das glândulas, ou
das estruturas adjacentes, é um fenômeno bem reconhecido.
Aplasia das
glândulas salivares, ou seja, ausência do desenvolvimento das glândulas
salivares, é também um agente causador da xerostomia.
A relação da
xerostomia com um distúrbio endócrino foi observada muitas vezes, e com
aparente predileção para a Síndrome de SJÖGREN ocorre em mulheres na menopausa.
Aparece freqëntemente em mulheres com mais de 40 anos de idade, embora possa afetar
crianças, adultos e jovens.
Existem
várias outras causas de xerostomia, tais como ingestão inadequada de líquidos,
respiração bucal crônica (adenóide), fumo excessivo, doenças de MIKULICZ,
síndrome de HEERFORDT,doenças sistêmicas e metabólicas com febre alta e
desidratação, distúrbios emocionais, uso excessivo de alimentos codimentados e
finalmente pobre higiene bucal.
A perda de
líquido pelo organismo, decorrente da hemorragia, sudorese excessiva, diarréia
ou vômitos, pode acarretar redução de secreção salivar e xerostomia. A poliúria
que acompanha o diabetes melito e o diabetes insípidus explica, provavelmente,
a diminuição da secreção salivar e consequentemente sede nos portadores desta
doença.
Efeito sobre
os dentes:
·
Os dentes irrompidos são afetados nos pacientes que
receberam radiação pelos raios-x.
·
A manifestação mais comum da agressão é uma
destruição peculiar da substância dentária, semelhante à cárie é chamada as
vezes de "cárie de radiação", que pode causar a amputação(remoção) da
coroa dentária ao nível do colo, os dentes parecem quebradiços e lasca de
esmalte podem destacar-se dos dentes. A relação entre o radioterapeuta, o
dentista e o paciente é essencial na promoção dos cuidados bucais para estes
pacientes.
·
A xerostomia de intensidade variável, favorece o
acúmulo de resíduos sobre os dentes e a cárie resultante.
Tratamento:
·
Depende da natureza da doença, para a maioria dos
pacientes só pode ser oferecido alívio sintomático. Procura-se encontrar a
causa da baixa do fluxo salivar, deve ter-se uma higiene bucal rígida e um
controle na dieta.
·
Na tentativa de conseguir a reativação da função
secretora das glândulas salivares, é recomendado o uso de gomas de mascar e
tabletes de fosfato de cálcio e em condições mais drásticas o tratamento
químico com o aconselhamento e acompanhamento do cirurgião dentista, com
sialogogos; o sialogogo detecta se a glândula tem condições de reabilitar-se
por si só, caso não seja possível, a única saída é a reabilitação por saliva
artificial.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Histologia bucal,
Desenvolvimento, Estrutura e função; A. R. Ten Cate; Quinta edição; Guanabara
Koogan; 1998.
Bioquímica
odontológica; Aranha, Fávio leite ; São Paulo: Savier, 2 ed.; Revista e
ampliada., 2002.
Fisiologia
Humana; Guyton, Arthur C.; Sexta edição; Guanabara Koogan; 1988.
Histologia e
Embriologia Oral de Orban; S. N. Bhaskar; Décima edição; Artes Médicas; 1989.
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ResponderExcluirvocê precisa procurara um dentista especializado em estomatologia, ou qualquer outra especialização odontológica que possa fazer a biopsia e se necessário fazer a parotidectomia total ou parcial.
ExcluirSerá problema na saliva? Um otorrino ensinou-me como drenar a saliva presa na glândula no ano passado, pois estava viscosa e salgada... Poderia me ajudar?
ResponderExcluircaraca, que ótimo post!!! Mega explicado e didático, parabéns!
ResponderExcluiraprendendo com o post muito bom.
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